domingo, novembro 20, 2005

Cap. XIV - Hospício

Corredores escuros e compridos, paredes manchadas do mofo que crescia entre os rejuntes mal feitos. Janelas no alto da parede, mas mesmo assim gradeadas.
Ela queria muito ver a luz do sol do lado de fora daquele lugar. Não sabia ao certo porque a consideravam tão perigosa que mal poderia chegar ao jardim.
Em algum quarto daquele mesmo lugar estava o seu irmão. Igualmente preso e repreendido.
Os enfermeiros a buscaram no quarto e sem muitas explicações começaram a conduzi-la por aqueles corredores mal iluminados. Em pequenas salas de TV ela via pessoas estranhas fazendo coisas esquisitas.
Levaram-na até uma pequena sala. Um dos enfermeiros se dirigiu até uma sala que ficava ao lado. Ela pode ler a placa, estava escrito “Diretor”. Ao olhar para o lado pode se dar conta que havia uma janela ali. Tentou se levantar para se aproximar da janela. O enfermeiro que ficou a deteve. Mas mesmo distante ela pode ver uma parte da rua e as marcas do inverno sobre a vegetação.
O outro enfermeiro voltou e, segurando ela pelo braço a levou até a sala do diretor.
Era uma sala bem diferente de todo o resto. Era bem iluminada, espaçosa e bem decorada. Um quadro na parede a recordou de um quadro que havia na sua casa, talvez fosse do mesmo artista. Uma grande de estante de livros com diversos títulos estava à sua esquerda. À sua frente uma bela mesa decorada, com pés muito bem entalhados com desenhos de arvores e animais. Atrás das mesa estava um homem que parecia ter uns 45 anos, de óculos, aparência de homem sério. Ao vê-la chegar, dirigiu-se à mulher que estava sentada do outro lado da mesa, dizendo: “Aí está ela.”.
Quando a mulher se virou, se deu conta que era a sua tia materna. Olhou para ela com um tanto de esperança de que ela pudesse tirá-la dali. Mas fechou os olhos e imaginou que provavelmente havia sido ela quem mandou interna-la.
“Vocês podem trazer agora o garoto.” – Disse o homem atrás da mesa.
Ela começou a chorar diante da realidade. Nem mesmo sua tia poderia compreende-la. Mas pelo menos agora ela poderia ver o seu irmão por quem ela orava a cada instante.
“Eles tem tido algum progresso?” – Disse a tia.
“Mais ou menos, senhora. Eles ainda acreditam naquelas coisas. Temos dado alguns tratamentos, mas parece que estamos caminhando com passos de formiga. Creio que eles poderão melhorar muito, mas ainda estudamos um tratamento adequado.”
Nisso um dos enfermeiros abre a porta trazendo o irmão dela. Ele, ao vê-la, corre para abraçá-la. Os enfermeiros correm temendo que ele fosse agredi-la.
“Acalmem-se. Isto é apenas um carinho entre irmãos.”- Disse o diretor – “Sentem-se, crianças.” – apontado um sofá ao lado da mesa.
“Tenho certeza que vocês igualmente podem compreender a dificuldade no tratamento deles. Perderam os pais faz pouco tempo...”
“Claro! A senhora poderia me dar mais alguns detalhes? Isso poderia ajudar no tratamento.”
“Bem, senhor, os meus sobrinhos infelizmente aprenderam essas coisas com os pais. Minha irmã depois que se foi para outra cidade mudou muito. Acredita que fiquei sabendo após a sua morte que estavam se reunindo com um grupo? Parece que todos eles acreditavam nessas baboseiras...”
“Incrível que ainda exista resquícios dessas formas de pensamento...dessa religião...aqui no nosso país. Um país tão esclarecido das coisas, onde as pessoas podem estudar. Realmente é difícil de acreditar.”
“Pois bem. Acho que minha irmã e meu cunhado estavam igualmente loucos.”
“Na verdade, isto não é bem uma loucura. É um tipo de depressão que faz a pessoa buscar algo para se sustentar. No caso deles a sua sustentação tem origem muito antiga, num Deus criador e seu Filho que nasceu, morreu e nasceu novamente. Não, ele nasceu, morreu e ressuscitou. Uma história totalmente absurda.”
“É, um caso sério. Aproxime-se. O senhor já viu que ele tem um nome tatuado nas costas? Talvez seja desse deus ou desse filho...”
“Deixe-me ver. Enfermeiro, ajude-o a levantar a camisa para que eu possa vê-lo.”
O enfermeiro se dirigiu ao garoto que, fazendo sinal que poderia fazê-lo sozinho, levantou a camisa e virou-se. Estava escrito “Jesus”.
“Bem, senhora, eu tenho estudado bastante essas antigas culturas e essas tais religiões. Pelo que eu tenho estudado essa religião seria o cristianismo. E esse tal Jesus seria o filho que eu lhe falei que morreu, não, nasceu...”
“Sim, eu lembro. Mas, será que há uma cura?”
“Talvez. Por enquanto temos tomado algumas medidas. Não temos deixado ter contato um com o outro e nem com outros pacientes para que não seja alimentada essa crença. Temos lhes administrado alguns remédios para dormir, evitando assim que pensem naquelas besteiras. Eles já tem melhorado um pouco. Já não falam em voz alta com o seu suposto Deus...”
“Isso é bom. Venho então daqui a três meses ver se eles já melhoraram. Espero leva-los para a minha casa em breve.”
“Ótimo. Buscaremos então ressocializá-los. Devo adverti-la que talvez eles nunca melhorem, talvez fiquem em constante tratamento. Mas será um prazer vê-la em breve.”
“Obrigado, Sr. Diretor. Já tenho me preparado, reformei os seus quartos, caso fosse necessário continuar lá o tratamento. Até a próxima. Tchau queridos. Gostaria de vê-los bem....mas a tia ama vocês do jeito que são.”
A tia saiu da sala e o diretor foi acompanhá-la até a porta da instituição. Os enfermeiros se colocaram na porta da sala do diretor.
“Acho que eles não nos ouvem.”
“Sim, mas fale baixo, meu irmão.”
“Eu consegui esconder uma bíblia no meu quarto. Você tem um também, não é?”
“Sim”
“Vamos continuar orando em pensamento. Vamos dar a eles a impressão que estamos melhores para poder sair deste lugar.”
“Tá bom. Talvez indo para a casa da nossa tia poderemos passar tempo juntos.”
“Certo. Vamos parar de falar. O diretor está voltando...”
E os enfermeiros os levaram de volta aos seus quartos.

domingo, setembro 04, 2005

Cap. XIII - Estrelas Cadentes

Sozinha no meio do seu sofrimeno, imaginando mil coisas e todas elas poderiam realmente acontecer. O que estaria acontecendo? Essa pergunta soava e resoava no seu cérebro diversas vezes. O sofrimento era intenso...tudo o que ela tinha era ele. E a solidão.
Ela sabia mutio bem que tinha tido milhares de chances. Todas aquelas chances que ela achava que nunca tinha tido. Ele respondia...agora ela podia ver...
Talvez fosse tarde demais para pedir mais uma vez. Ela tinha toda a certeza que estava onde deveria estar. A bruxa não tinha poderes e as mentiras caíam diante dos olhos como se fossem estrelas cadentes. Pareciam tão reais...caiam...desvaneciam...o seu falso brilho.
A casa de madeira fazia barulhos com o vento. Os cômodos eram escuros. O sol estava se pondo. A esperança dela também. Quem está aí? Quem? Ninguém. Mas parecia estar. Rindo. Depois de tantas promessas, de tanto poder aparente, de tanta supremacia. Falso. Pai da mentira. Ele estava vencendo?
Chorava sem parar. Não conseguia parar, gritar, clamar, pedir socorro para aquele que ela sempre soube que a ajudaria, que sempre estendeu as mãos para ela. O espelho quebrado revelava um rosto que ela não conhecia. Mas era no que ela havia se transformado. As memórias cortavam o seu coração em mil pedaços. Ela havia chegado naquele ponto, mas não conseguia lembrar como começou. Tinha tudo, mas achou que era pouco; quando tinha vida, achava que estava a perdendo. O que restava de tudo aquilo agora? Ela não sabia. Ela mal conseguia pensar.
Não queria que tivesse o dia de amanhã. Aquela risada... Pegou uma pedra que estava no chão sujo e empoeirado de madeira, atirou contra o espelho que se despedaçou. Tal qual seu coracão. Mas ainda podia ver nos pedaços aquele rosto transfigurado. Saiu correndo, subiu as escadas. Queria tanto chegar no topo que acabou tropeçando. Caiu com o rosto no chão. Seu rosto estava sangrando. O sangue, a queda.
Chegou até a janela. O sol havia recém se posto. Subiu no parapeito da janela. A casa antiga tinha janelas altas, ela pode então ficar de pé. Abriu os braços. Ainda chorando. O desespero tomava conta do seu ser. Talvez ela ainda tivesse chances. Olhava para o chão. Uma queda daquela altura mataria qualquer um. Ela nem imagnava que era tão grande, até chegar.
Mas alguém havia morrido por ela. Não estava tarde. Ela podia desistir. Ele ainda a esperava. Ela estava com os braços abertos. Olhos fechados. Tudo aconteceu muito rápido. Uma decisão foi tomada. Entre segurar aquelas mãos e desisitir de uma vez ela decidiu o que achava melhor.
E pode então abrir os olhos.

domingo, julho 10, 2005

Cap. XII - Louco

"Um bando de loucos."
Ele realmente achava muito fácil rotular sem conhecer. Todos faziam. Havia algum problema nisso?
O que se passava ali dentro, ele não queria saber, ou pelo menos dizia que não. Ria. Dava gargalhadas das pessoas quando passavam na frente da sua casa para ir lá.Mas acabava tendo de passar na frente também quando voltava para casa. O que seria na verdade aquilo? Um cárcere. Todos ali estavam presos, sem poder se divertir.
Mas sozinho em casa pensava nos sorrisos. Sim, sorriam lá dentro. Pelo jeito eram felizes. Como será que isso acontecia?Reuniu alguma coragem. Precisava esclarecer algumas coisas. Ele sabia que aquilo não tinha nada a ver com ele. Afinal, nunca tinha lido a Bíblia e nem tinha interesse. Mas ficou com uma tremenda curiosidade. Foi.Estranhou muito ao chegar lá. Eram simpáticos. E, o mais impressionante, tinha gente normal lá dentro. Gente que era da idade dele, se vestiam como ele...mas tinham Bíblias nas mãos. Pareciam, pelo menos, legais.
Acabou arranjando alguns amigos. Amigos de verdade. Eles eram diferentes, apesar de tudo. Dava pra contar com eles. Eles eram sinceros. Começou a gostar de estar com eles. Ele ainda não sabia o porquê, mas gostava.
Aquilo tudo estava começando a fazer sentido. Aquela mensagem já não era mais tão estranha aos ouvidos. O que estava acontecendo? Nem ele mesmo sabia. Mas de certa forma ele estava tendo certeza que existia mais coisas entre o céu e a terra. A idéia de que Jesus havia morrido por ele era boa. Se arrepender dos pecados...hmm...ele ainda não tinha certeza.
Até aquele dia. Naquele dia as coisas mudaram. Ele decidiu que teria de se arrepender. Era o mínimo que ele poderia fazer. Afinal, Jesus havia pago o preço. E ele havia custado caro. Entreg ou a sua vida por completo à Cristo. Se arrependeu, decidiu trilhar um caminho ao lado Dele. Começou a ver muitos o chamarem de louco. Não se importou. Ao invés disso, sorria. Talvez alguém poderia dizer para Jesus que era loucura morrer por alguém pecador. Ele era louco sim, louco pra viver, louco por Jesus.

sábado, maio 21, 2005

Cap. XI - Aviva

Atônito acordou. Um dia acordou. Seria rasoável me perguntar como. Pois bem. Ele já conhecia a verdade à alguns anos. E feliz vivia com o que já se tornava o "normal". Não tão intensamente, mas o normal.Naquele dia ele notou que o normal não era o bastante. Ele queria bem mais do que aquilo que ele vivia. Então ele acordou. Semelhantemente ao dia que se voltou para a Luz. Abriu os olhos e sentiu sede. Tanta sede que parecia que ela iria consumir as suas entranhas. Não se conteve e foi para a rua. Respirou, olhou para o céu e soube que a sua sede era resposta de oração. Ele pediu mais, Deus concedeu. E pediu mais, Deus o abençoou. E pediu. Pediu que cada um daqueles que estavam ali experimentasse. E pediu tanto que o seu clamor, cheio de amor, veio a ser concedido por Deus. E todo aquele amor foi reunido com o propósito de levar todos a amar. Um por um, todos se voltaram e acordaram pela primeira vez. Quase como uma síndrome se espalha, o amor se espalhou e entrou no coração de cada um. E todos pediram, e Deus não virou a Sua face. Concedeu mais uma vez. E a cidade toda se voltava ao verdadeiro amor. Até o momento que todos que estavam ali, tal qual Nínive, pediram perdão pelos seus pecados e para que Jesus se tornasse o seu Senhor e Salvador. E o avivamento aconteceu.

quinta-feira, março 10, 2005

Cap. X - A Professora

Mais um dia quente, em uma terra quente. Quente, mas de corações gelados. Ela mais uma vez iria se levantar, começar um dia totalmente novo. Arrumou-se como sempre e saiu de casa em rumo da pequena escola que ela dava aula. Todos os dias, no caminho, ela orava por cada um dos seus alunos. Crianças que ela amava como se fossem da família dela. E nas suas orações, perguntava a Deus como poderia mostrar para aquelas crianças novamente o amor de Jesus. Mas aqueles últimos dias haviam sido diferentes.
Os pais daquelas crianças haviam pedido para a direção da escola que a professora ensinasse apenas o que estava no currículo. Isso significava que eles não queriam mais que ela ensinasse qualquer coisa que se referisse à Jesus Cristo.
Ela jamais iria imaginar que, num país que se dizia livre e cristão, ela poderia ser censurada por estar ensinando aos seus alunos a Verdade.
Mas, mesmo diante de tantas lembranças difíceis, ela tornava a orar, e orava pelas as suas famílias. Ela orava para que eles entendessem que o que ela estava fazendo era certo. E, mesmo sem poder dar aulas sobre o Salvador, ela continuou a orar com os alunos e a lembrar do nome maravilhoso de Jesus.
Ela estava caminhando por aquela rua sem asfalto em direção a escola. Já podia imaginar cada rostinho e da maneira que eles iriam sorrir ao vê-la chegar. Porém, seu caminho foi interrompido. Um homem com uma arma na mão perguntou para ela por que amava tanto Jesus. A professora, assustada, disse que era por que ele era o seu Salvador. O homem então aproximou-se dela, acusando-a de querer mudar a comunidade, que as crianças viam o que estava errado, que eles viviam muito melhor sem se preocupar com Jesus, mas que ele estava prestes a resolver o problema.
Naquele momento, um barulho muito forte foi ouvido. A jovem professora imaginava que tudo aquilo só poderia ser o seu Senhor voltando. Mas havia dor. Mas havia luz. Ela caiu no chão de areia quente tentando entender. Os anjos estavam ao seu redor, ela os via. Era o seu Senhor? Ele estava voltando? Até que ela pode entender. Não era a volta Dele. Era ela que estava indo ao encontro do seu Amado.
E até hoje, naquela cidade de maioria cristã lembra-se da professora que levou a primeira palavra de evangelização e que por fim deu a sua vida pela causa de Cristo.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Cap. IX - Feliz Natal

O mundo que o cercava era cético e furioso. Quem poderia acreditar que aquele menino, menino como todos os outros, iria ser diferente. Ninguém sabia dizer por que ele acreditava, mas ele acreditava. Seus pais nunca viram sentido em aquilo tudo. Ele era um adolescente e eles acreditavam que aquilo iria acabar logo.
Para ele, o mundo que ele vivia era muito diferente do dos pais. Para ele era algo tão óbvio acreditar. Para eles, tão absurdo. Aquilo fluía de dentro dele, enchia e preenchia o seu interior. Mas para seus pais aquilo não passava de uma bobagm de adolescente.
Tudo o que ele mais amava era o oposto daquilo que os pais queriam para ele. Como ele podia ser tão diferente? Como e onde eles haviam errado? Não conseguiam se conformar que o seu filho pudesse dar tanto crédito, tempo e amor a algo que ele não podia ver. A sua crença era muitas vezes abominável por eles.
Naquele momento, ele estava no quarto sozinho, precisando do conforto. Ele sabia muito bem que mesmo que os seus pais o abandonassem, Ele não iria abandonar.
"- Ó Deus, a ti, tudo, e nada menos do que tudo, entrego..."
Aquela deveria ser uma data muito especial. Era o aniversário do seu Melhor Amigo. Mas para ele aquele dia estava sendo um tanto difícil.
Na sala, no jardim, na cozinha, muitas pessoas caminhavam. bem vestidas, rindo bebendo, comemorando não aquele aniversário, mas o seu próprio ego. Fazendo uma festa para a sua vaidade.
A mãe o chamou, queria apresentar alguns meninos da sua idade para ver se ele se tornava um adolescente normal, depois iria apresentá-lo a algumas meninas, talvez assim ele parasse com aquele papo de esperar a sua futura esposa. Retirando ele do quarto, o levou para a sala. De alguma maneira, ele conseguiu escapar dela.
Voltou ao quarto, retirando a sua gravata. Pensou como seria bom fugir daquele lugar. estava quase chorando. Trancou a porta. Parou em frente ao espelho.
"- Feliz natal para você!"
Ele sabia que aquilo lá fora não fazia parte dele, nem ele daquele mundo. Mas pôs-se a admirar. Ele era um escolhido para estar naquele lugar e fazer a diferença e o fato de ele ser atacado pelos próprios pais não poderia abala-lo. Ele estava firme na Rocha, que está firme Nele, nunca será abalado.

segunda-feira, novembro 15, 2004

Cap. VIII - Jeova Jire

Ele corre. Tropeça, cai, levanta, corre. Não, ele não está desesperado. Muito pelo contrário, está cheio de esperança. E ele sabe que foge por causa desta esperança. Muitos correm attrás dele, com paus e pedras em punho, prontos para matá-lo.
Para ele, o pior não é morrer. Talvez a morte seria um tremendo alívio. Ele iria morar com o seu Senhor, não teria mais que fugir. Mas ele sabia se ele morresse, seria mais dificil para os seus poucos irmãos continuarem.
Corria, mas não sabia onde nem quando iria parar. talvez eles o alcançassem, talvez Deus iria prover mais uma vez a escapatória.
A rua estava se transformando em um beco. Via que, ao fim deste beco, havia um muro. Começou a preocupar-se, mas seguiu as instruções de continuar correndo. Quando começou a chegar mais perto, pode ver uma pequena rua que seguia rente ao muro. Entrou. Continuou a correr mas, esta rua também não tinha saída.
Ajoelhou-se e clamou por Deus. Clamou por aquele Deus que ele amava e adorava, o Deus pelos quais ele estava sendo persewguido.
Ele começava a ouvir a voz da multidão que se aproximava. Orava a Deus entregando tudo a Ele mais uma vez, confiando Nele.
Derrepente, sua oração foi interrompida por um som de janela se abrindo. Olhou para o lado e pode ver alguém chama-lo no prédio ao lado. Ele correu, entrou no apartamento, que em seguida fechou a janela. Lá dentro, outra igreja clandestina se escondia. Estavam orando pelos irmãos que poderiam estar passando por dificuldades quando ouviram alguém orar do lado de fora. Ele estava a salvo agora.
A multidão chegou. Para onde ele havia ido? Sumiu? Desapareceu? Fugiu por onde? Muitos no seu íntimo pensaram que, para ele ter escapado, o seu Deus devia ser muito poderoso. E provedor.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Cap. VII - A Fuga da Noiva (Parte II)

Lá estava ela. Suja, cansada, vestido rasgado e suor escorrendo pelo rosto. O que ela faria agora? O pai iria buscá-la onde estivesse. Por um momento, chegou a pensar que havia cometido um erro. mas, ao lembrar que estava vestida de noiva, viu que situação pior seria ter se casado com um homem que ela mal conhecia, mas que seu pai havia escolhido para separa-la de Cristo.
A sua corrida havia se tornado um caminhar; esse caminhar, por sua vez, já estava se tornando um arrastar. Ela precisava parar. Nisso, a provisão de deus se demonstrou mais uma vez: quando levantou os olhos, viu uma pequena vila no meio da floresta. saindo de uma das humildes casas, uma antiga amiga da sua mãe. Ela reconheceu a menina e foi ao seu auxílio.
Ela levou a garota para dentro da sua casa, lhe deu roupas novas e algo para comer e beber. Ela contou à amiga tudo oq eu seu pai havia feito desde a morte da sua mãe para mantê-la longe da igreja. A amiga lembrou que seu pai não era assim antigamente, mas que o assassinato da sua mãe havia feito ele mudar muito.
Assassinato? Sim, explicou a amiga, ela havia sido assassinada na cidade enquanto lia a Bíblia na praça. O governo hava proíbido qualquer manifestação cristã e qualquer igreja de operar.
Isso fez com a menina descobrisse o motivo da crueldade do seu pai. Mas ele jamais entenderia que ela estava disposta a morrer por Cristo, da mesma maneira que a sua mãe.
Ela precisava sair dali. Logo seu pai descobriria seu paradeiro. A amiga conseguiu para ela uma carona até a cidade, só que ela deveria ficar escondida. Os empregados do seu pai deveriam estar procurando ela por toda a parte.
Antes de sair, deixou uma carta para a amiga levar até a sua igreja. Eles estariam correndo risco agora.

terça-feira, agosto 31, 2004

Cap. VI - Normal de mais

Ele tinha aceitado a Jesus como seu Salvador fazia 14 anos, ou seja, a maior parte da sua vida ele foi crente. Tinha agora 18 anos, mas a sua decisão não era mais tão firme.
Ele ia na faculdade, tinha amigos, ia em baladas, ficava com as meninas, tudo normal.
Ele não via problema nenhum nisso, afinal, ele era um cara normal.
Ele não queria ser um daqueles fanáticos só porque ele era crente.
Mas nos últimos tempos ele sentia uma coisa diferente. Um vazio, algo que ele não conseguia explicar estava tomando conta do seu ser. O que estava havendo com ele?

E agora, naquele momento, ele estava quebrantado. Pra falar a verdade, não sei que circunstâncias levaram ele a entender. Mas agora, eu tenho certeza, a vida dele iria mudar.

Ele era normal de mais. Esqueceu-se que ele estava aqui com a missão de ser um anormal. Um anormal, para servir a Deus, coisa que ninguém estava preocupado em fazer.

segunda-feira, junho 07, 2004

Cap. V - Diferente

Ele sabia que, se continuasse firme na fé, teria de enfrentar seus colegas.
Onde ele estudava, nenhum de seus colegas tinham Jesus como Salvador, todos eles estava como ovelhas desgarradas, seguindo cada um o seu próprio caminho.
Ele era tachado, ignorado e zombado. nenhum gostava da sua compania, nenhum queria ele por perto.
Quando perguntavam o porquê de ele ser ignorado, sempre respondiam:
"-Tentamos fazer com que ele fosse legal. Convidamos ele para fazer coisas, ir a lugares e experimentar outras coisas, mas ele nunca quis."
Quando voltava para as suas casas, os colegas se deparavam com a realidade: aquele mundinho em que viviam não trazia felicidade. E que, mesmo fazendo coisas, indo a lugares e experimentando outras coisas, não eram felizes de verdade. Tudo isso passava, ficava uma tristeza, depressão...nessas horas lembravam do Diferente que, mesmo ignorado, era feliz. O que el tinha?
Ele, porém, voltava para a sua casa feliz. Ele tinha Jesus e para ele bastava. Ser ignorado deixava ele chateado, mas ele tinha um consolador que estava sempre com ele, um rocha firme. Ele nunca seria abalado.

quarta-feira, maio 26, 2004

Cap. IV - A Fuga da Noiva

Ao se olhar no espelho, começou a chorar. Não podia imginar que seu pai iria tão longe para separa-la da sua fé.
Lá estava ela, vestida de noiva, pronta para casar com um homem que ela nunca havia visto. Mas seu pai sabia: ele jamais deixaria ela professar sua fé em Cristo. Para o pai, isto bastava.
Ele olhava a filha pronta para o casamento, chorando, mas, mesmo assim, não se arrependia. O noivo era rico, da mesma religião que ele, ia levar a sua filha para longe daquela igreja que ele tinha tanta raiva. Sorriu para a filha e saiu do quarto.
A ama que havia cuidado dela desde bebê estava com o coração partido. sentia que devia fazer algo. Disse para a menina que, assim ue o carro saísse para leva-la até a igreja, que ela pedisse para parar no meio da floresta para contemplá-la pela última vez, já que se mudaria para outro país. Antes de dar as últimas instruções, o motorista chegou para buscar a noiva.
Quando o carro estava passando pela floresta, ela lembrou o conselho da ama e pediu para o motorista que parasse o carro. Ele parou. Ela disse que sairia do carro e colheria algumas flores para se lembrar daquele lugar. Foi nesse momento que ela entendeu o que a ama iria dizer para ela fazer. Começou entrar na floresta, segurando flores na mão. Quando já estava numa distância considerável, começou a correr. Fugiu.
O motorista, estranhando a demora da menina, foi atrás dela. Mas ela já estava logne aquela hora.
Na igreja, o noivo já estava impaciente. O pai dela caminhava de um lado para o outro quando o motorista entrou sozinho naquela "igreja":
"-Ela fugiu!"
A família entrou em pânico. Foram procura-la no lugar onde o motorista disse que havia parado, mas depois de tanto tempo, ela já estava muito longe.

segunda-feira, maio 24, 2004

Cap. III - Lágrimas no Campo de Margaridas

Aquele jardim era afastado do centro da cidade. Ela o considerava o seu lugar preferido, um refúgio.
Naquele momento, aquele era o único lugar para ir.
Chorando, ela retirou o veu e se deitou no meio das margardas que cobriam o campo inteiro.
"-Vai, te mata!"
Ela não podia vê-lo, mas sabia que ele estava ali, como um leão que ruge, procurando devorá-la.
"-Eles estão mortos, só falta você estar..."
"-Eles morreram pela fé!"
"-Viu? Onde está Aquele teu senhor? Deixou teus pais e irmãos morrerem!"
"-Ele está comigo!"
"-Assassinados pelos atiradores"
"-Mártires!"
"-Idiotas! Morreram por um Deus que não impediu o seu assassinato. Você vai morrer também pela mão de um qualquer! Melhor se matar agora!"
"-Retire-se diabo! O meu Senhor Jesus é o único! Ele me sustentará! Retire-se! Em nome de Jesus!
E ele se retirou. Era derrotado. E naquele momento ela sentiu que os anjos iriam servi-la e que Aquele que a criou nunca iria abandona-la naquela situação.

terça-feira, maio 18, 2004

Cap. II - Rotina?

Ele acordou e foi se arrumar, como fazia toda manhã. Até que ele estava bem atrasado aquela manhã. Tomou café, vestiu o uniforme e tratou logo de esconder a bíblia dele dentro do forro da mochila. Se descobrissem ela dentro da mochila na inspeção diária, iriam provavelmente queimar ela. E ele não queria isso de jeito nenhum. seria dificil achar outra, alé do fato de que aquela tinha anotações. Não só anotações dele. Ele não sabia de quem ela havia pertencido, mas essa pessoa tinha idéias bem claras de Deus, pelo que ele via nas anotações.
Foi para a escola como de costume. Pela mão de Deus, a bíblia não foi descoberta.
Depois de acabar a aula ele foi para uma casa abandonada, onde se reunia a sua igreja. Os louvores sussurrados, a leitura das poucas bíblias, a orientação do pastor. Tudo aquilo era para ele a maior dádiva que Deus podia ter dado para ele.
No outro dia, tudo de novo.
Ele não reclamava da árdua rotina de se esconder para professar a fé dele. Ele era feliz porque Deus estava com ele...

sexta-feira, maio 14, 2004

Cap. I - Mais um dia...nada igual ao outro...

Era tudo uma rotina para ela. Levantar, comer, sair.
Até parecia que aquela decisão que ela havia feito não tinha mudado essa rotina. Engano dela. Ali constava a grande diferença: ela poderia não ver, mas era acompqanhada de perto por Aquele dos quais ela se comprometeu para a vida inteira.
Será que ela realmente estava fazendo a diferença?
Será que aquilo fazia a diferença?
Ela precisava agir. Mas sabia que não naquela hora.
Finalmente notou que não, não era tudo a mesma coisa. Cada dia era uma dádiva muito bem preparada pelo seu Criador.
Naquele dia ela resolveu que não iria mais considerar tudo uma rotina que duraria até seus compromissos mudarem. Resolveu que ela faria a diferença da maneira certa.
Entregou mais uma vez tudo à Deus e levantou disposta a "combater o bom combate".
Com o coração cheio, resolveu que seguiria as ordens do seu Senhor.
- Adonai, a Ti entrego.
E lá ia a menina no meio da cinzenta multidão. Componente de um exército, força de um Deus que nunca iria deixa-la.

quarta-feira, maio 12, 2004

Welcome TO

Eles chegaram cedo. Tinha no máximo 3 pessoas no lugar.
- Pelo menos a gente pega um lugar bom, né?
- Calma querida, já vai começar!
Um simples WELCOME TO já diria tudo.

Welcome to my blog!

O espetáculo realmente já vai começar!